Hoje, curiosamente e sem propósito, pude acompanhar dois momentos antagônicos no jornalismo. A gafe preconceituosa de Boris Casoy contra garis e a humildade por excelência de Gay Talese.
É nos bastidores que se encontram os mais afiados e debochados momentos. Basta uma rápida ida ao YouTube para ver apresentadores de telejornais fazendo comentários que somente o anonimato poderia proporcionar. Mas graças aos técnicos relapsos, essas máscaras caem e vimos como é o ser humano que pensamos que são.
É sempre mais ou menos assim. Baixam os holofotes, mostram-se os carateres. O tom de brincadeira no comentário de Boris Casoy debochando dos sinceros votos de Ano Novo dos garis é muito ruim para uma sociedade que deseja ser igualitária. Se a tal voz que representa a sociedade pensa assim, o que esperar dos outros? Felizmente a maioria, senão todos, reagiu contra, obrigando o jornalista a fazer um macambúzio pedido de desculpas. Lamentável para alguém com a biografia que tem…
Mas logo depois acesso o blog de Geneton Moraes Netto e leio sobre seu recente encontro com o jornalista Gay Talese. Texto extenso, aulas de jornalismo e um dos trechos me chamou a atenção:
“Talese fez outra confissão: disse que nunca se sentiu atraído a escrever sobre gente famosa. Preferia lançar seus faróis sobre gente anônima, o que parecia uma contradição. Não por acaso, quando recebeu de um editor a tarefa de escrever sobre Frank Sinatra, Talese teve a tentação de recusar a encomenda. Imaginou: que pergunta Frank Sinatra já não tinha respondido um milhão de vezes?”
Certamente o grande Gay faria daquela mensagem dos garis uma grande matéria de fim de ano, daquelas para nos fazer pensar e emocionar. Mas, certamente, haveria um editor como Boris Casoy para vetá-la.
Isso é uma vergonha!
Para quem não acompanhou os episódios, eis as referências:
5 05UTC janeiro 05UTC 2010 às 7:50 pm |
lamentável….mas não me surpreendo mais
5 05UTC janeiro 05UTC 2010 às 9:06 pm |
Não poderia ter concluído o texto de maneira melhor: “Isto é uma vergonha!”
6 06UTC janeiro 06UTC 2010 às 1:08 pm |
Eita! O bordão nunca foi tão bem empregado…
6 06UTC janeiro 06UTC 2010 às 8:57 pm |
Ele é quem deveria limpar a boca e a alma.
duvido que ele ficaria sem esses trabalhadores uma semana.
ai ele gritaria: Isso é uma vergonha!