Archive for setembro \21\UTC 2009

Nem foi tempo perdido …

21 de setembro de 2009

Domingão de preguiça depois de três aniversários de pessoas queridas. Mesmo destruído e chovendo, achei por bem aceitar o convite para ir a 12ª edição do Porão do Rock, tradicional evento cultural de Brasilia, o qual já ouvira falar bastante. E bem. Logo, não custava nada deixar a preguiça de lado e ouvir um pouco do ritmo. 

Cheguei muito bem acompanhado ao palco montado na Esplanada dos Ministérios. Rolava aquele clima bom de liberdade, com aquela grama que virou lama e uma galera do bem muito louca! Perdemos a Plebe Rude, mas chegamos a tempo de assistir os Paralamas do Sucesso enlouquecendo marmanjos e novatos com seus clássicos. Um show honesto e empolgante. Por mim, a noite já tinha sido garantida com aqueles caras. Que engano … 

Ouço as meninas dizendo, com a maior naturalidade do mundo, que a Legião Urbana era a próxima a entrar. Legião Urbana?!?!?! Bom, pensei, deve ser uma banda cover. Passado o som, entra no telão um filminho com um resumo da história da banda até a partida de seu líder maior. Bem editado e emocionante. Era a prévia do que estava por vir. 

Qual não foi minha surpresa e espanto ao ver Dado e Bonfá invadindo o espaço e começando os acordes do que foi uma das trilhas sonoras de minha adolescência e de tantos outros. Claro que a falta de Renato era explícita, mas aquela iniciativa tinha um significado muito maior. Vocalistas de bandas locais revezavam. Herbert Vianna também deixou seu recado. Até Loro Jones surgiu como um ermitão. Bonfá parecia criança. 

Bonito de se ver … 

O show termina em clima de total nostalgia e paz. Deu saudade mesmo … Uma banda local emendou, mas não esquentou tanto. O Little Quail mandou muito bem com um punk rock pra lá de bem humorado que me arrancou gargalhadas. Os caras são bons mesmo. Faltou assistir Raimundos, mas os movimentos do corpo já não respondiam. Fomos embora.

Voltei muito feliz para casa. Ouvir “Tempos Perdidos” e “Que País é Este” tocadas pelos próprios em plena Esplanada e de frente para o Congresso Nacional é uma experiência difícil de explicar. Chorar é o mínimo. Saí com mais certeza ainda de que o país deve muito a Brasilia pela confirmação do rock nacional. Foi dado o recado mais uma vez naquela noite. É preciso aprender algumas coisas com esse povo.

Twitter: Ivete, Xuxa e Moacyr Luz

18 de setembro de 2009

Sou seguidor de Ivete Sangalo no Twitter. Gosto dela. Mas isso não vem ao caso. 

É que achei curioso como a artista explora bem a ferramenta a seu favor. Na descrição, ela já avisa que quem o escreve é sua equipe de produção e também a própria, quando tem tempo. Honesto. 

Mas lendo os tópicos, pinta no seguidor uma dúvida se Ivete está presente na maior parte do tempo. Os recursos lingüísticos são bem informais e chegam bem perto de seu linguajar. Uma dúvida interessante. 

A última novidade foi um concurso que ela bolou (será que foi ela mesmo?) dos mais bonitos e mais bonitas do Twitter. Bobinho, mas que deu um ibope danado. A todo o momento o povo mandava foto e ela disparava um comentário. Ao fim da escolha, ela pedia o telefone do ganhador e ligava. Depois do breve papo, ela resumia a conversa em um twitt, tipo como uma prova de que ligou mesmo. 

E sempre com uns recadinhos cumprimentando, desejando bom dia, dizendo o que fez, onde está. A pessoa acaba se sentindo amigo da artista mesmo. 

Enfim, não me iludo. Ela e equipe criaram uma puta ação de marketing que só a eleva no gosto do público. Um espaço para os fãs, que se sentem amigos próximos a cada post ou ligação. E ela, com humildade e sabedoria, obedece a recomendação dos profissionais e dispõe de um tempinho para falar com a galera ao telefone. 

Comentando o fato com meu sábio amigo Rodrigo Rozendo, ele resumiu o assunto com uma boa observação. “Um comportamento oposto ao da Xuxa, que ganhou a alcunha de antipática do Twitter”. Pois é. 

Para fechar, destaco também o grande Moacyr Luz, que está no Twitter, e respondeu com muito bom humor e carinho a uma piadinha do Rodrigo. Podia ter ficado puto, ou ignorado, mas fez o contrário. Viraram amigos virtuais. E a admiração pelo artista só aumentou.

Novelas: receitas de bolo?

15 de setembro de 2009

Sou de um tempo em que assistir novelas era realmente mergulhar na fantasia e na imprevisibilidade. 

Sou do tempo em que uma viúva extravagante botava o coronel do sertão para imitar cachorrinho, em que um padre tinha forte consciência política, em que um discreto cidadão virava lobisomem à meia-noite, em que uma assassina e um estelionatário têm final feliz, em que o cirurgião inescrupuloso tirava a virgindade de uma mocinha antes do marido com quem acabara de casar… 

Havia mais originalidade e os personagens eram realmente personagens. Dava gosto viajar naquela construção dramatúrgica. 

Agora sabemos que a próxima novela terá uma Helena, como mártir do universo feminino. José Mayer comerá todas as mulheres da trama. Haverá um casal em crise em que o marido separa para ficar com uma garotinha, geralmente colega ou inimiga da filha. Vai também ter uma esposa retraída, que se decepciona com a cunhada que transa com seu filho mais novo. E um discurso que gira em torno de costumes cariocas, como se o país se resumisse ao Leblon. Ah, e um depoimento ao final de cada capítulo, como forma de lição.   

Dizem que o padrão ajuda a cativar a audiência e sua comercialização para o exterior. E vende mesmo. Mas é bom lembrar que “A Escrava Isaura” foi a novela que mais viajou pelo mundo, cem países. E é de 1976 … Será que alguma outra, mais recente, chegou a essa marca? 

Tudo bem, Taís Araújo e Alinne Moraes estão estonteantes e beleza agrada os olhos, mas … Talvez esteja sendo saudosista e pouco antenado às mudanças, mas tenho saudades de boas interpretações de comédia lúdica e de personagens menos reais. Por isso, continuo achando melhor a historinha de Paraíso, mais cedo. E ainda assim está adaptada demais.

Liberdade de Imprensa!

14 de setembro de 2009

Semana passada uma colega de um expressivo jornal carioca nos pediu uma demanda. Um levantamento estatístico. Admito que demoramos na resposta, uma semana. Sempre demos satisfação da demora explicando que nosso corpo técnico estava com outras pendências, mas que estávamos em cima para que agilizassem as respostas. 

Claro que ela achou ruim e não tirei sua razão. Mas qual não foi a surpresa ao ler um e-mail enviado pela própria com a devida condição: 

“Não entendo a razão da demora. Preciso de uma posição ainda hoje se vai passar ou não as estatísticas, caso contrário, vou fazê-lo mediante petição com base no art. 5º da Constituição”. 

!!!!!

Senti-me um censor do Doi-Codi. E fiquei pensando se os demais colegas pensam da mesma forma, embora ninguém, que eu saiba, tenha tomado a mesma iniciativa até hoje.

Respondemos da mesma forma que das outras vezes e não houve réplica. E a petição também não chegou. Ameaças com base na Constituição ainda não tinha visto. Se a moda pega …

Twitter e suas implicações

10 de setembro de 2009

Esse lance de Twitter é muito louco mesmo. Ultimamente tenho experimentado lições dessa ferramenta que me fizeram refletir bastante.

Uma delas foi em relação a uma repórter do Ceará, que por meio de uma brincadeira no Twitter conseguiu uma entrevista com o governador do estado. Detalhe. Ele que a procurou. A outra foi o anúncio da Folha de São Paulo que baixou regras de conduta para uso do portalzinho interativo. Regras pressupõem controle. Sinal de que algo está incomodando.

Enfim, dá pra notar que o mundo ficou mais perto de nós. Com o Twitter você pode acompanhar, full time, o que pensa desde presidentes de nações a anônimos megalomaníacos por “followers”, outra neurose. Um paraíso para os repórteres, que podem adiantar suas apurações sem depender de terceiros.

E este é o lance. Até que ponto precisaremos dos jornalistas para saber do que acontece, se as fontes já adiantam tudo? Basta twittar. E com aquele ar de que está lendo a informação diretamente da fonte, sem intermediários. Lembro que Vanderlei Luxemburgo anunciou sua demissão via Twitter, uma informação aguardada desesperadamente pelos coleguinhas.

Logo, ele não é tão inofensivo assim. Para mim, faz parte de uma grande revolução na comunicação, onde a exclusividade da informação caiu por terra. Deve ser esquisito você comentar uma notícia do jornal e ouvir: “Eu já sabia. Eu sigo fulano e ele disse isso no Twitter ontem”.

É, caros colegas. Mais uma vez, repensemos o jornalismo.

Agoniza mas não morre!

2 de setembro de 2009

Quando a gente pensa que o setor de Serviços já inventou de tudo para não perder o seu cliente, eis que ouço essa pérola. Ela foi dita pelos famigerados operadores da Net, empresa que oferece serviços de TV à cabo e internet, bem conhecida por seu jeito pouco amistoso de administrar.

Minha namorada decidiu cancelar seu pacote de serviços de TV à cabo. Não tinha mais utilidade. Uma decisão simples, creio eu. Se não preciso mais, cancelo. Para que encher tanto o saco do cliente na tentativa de dissuadi-lo? Seria muito mais simpático se acatassem a decisão e agradecessem a preferência. Desligaríamos o telefone com a impressão de termos utilizado um serviço de uma empresa que respeita o cliente.

Porém, o inferno foi tão grande, que a pobre consumidora ao ouvir o milésimo argumento da operadora tentando convencê-la a ficar, ela não conseguiu manter a sobriedade e disparou, em um ato de desespero e insanidade:

– Quero cancelar o serviço, pois vou morrer.

Silêncio breve. Finalmente a cliente achou que seus problemas tinham terminado. Afinal, quem não se solidarizaria com uma doente terminal que não quer deixar pendências para quem ficar por aqui? Porém, eis a réplica:

– Entendo senhora. Mas enquanto está entre nós, não gostaria de continuar usufruindo de nossos pacotes? Temos uma promoção blá, blá, blá.

Ok, posso imaginar que a operadora tenha pensado que fosse uma brincadeira (e era), mas que direito ela teria em tornar essa dúvida em verdade? Fico imaginando o cidadãdo resignado que decide deitar no sofá e assistir televisão esperando a morte chegar. Raul Seixas já nos disse que essa é uma idéia pouco construtiva. Os funcionários da Net também poderiam pensar como Raulzito. E, acima de tudo, respeitar a vontade das pessoas.

Pano rápido.

Caros amigos

2 de setembro de 2009

Com certo atraso, eis que crio um blog. Sem firulas, palavras difíceis, inconveniências, este espaço é pra lá de democrático, onde o que menos importa é a aparência. Que venham as idéias e os confrontos cabíveis. Pretendo escrever aquilo que percebo e ache relevante dividir. Pois a comunicação para mim nada mais é que a interatividade relevante. O resto é mero ruído. Bem vindos!