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O fator Lula

30 de outubro de 2009

Dia desses vi um documentário sobre Silvio Berlusconi. Como este homem, mergulhado em escândalos pessoais e políticos, consegue se perpetuar no poder com o apoio de boa parte dos italianos? 

Manobras judiciais e uso da máquina e de seu império de comunicação foram uma das respostas dadas. Trivial aos inescrupulosos. 

Resolvi trazer essa questão para o Brasil. Como pode um presidente se envolver em tantas questões polêmicas e ainda assim ser o mais querido, com a popularidade nunca abaixo de 50%? A última do velho foi o ataque ao papel da imprensa, um questionamento nada democrático. Aliás, críticas que vêm se repetindo sutilmente desde a fracassada tentativa do próprio em criar o tal Conselho de Jornalismo, com artigos bastante questionáveis. Fora os afagos a mensaleiros e declarações nada diplomáticas.

Enfim, pude perceber o poder de sua aura bondosa em um recente evento em que ele esteve presente. Era a assinatura de um acordo para regularizar o setor canavieiro. Centenas de cortadores de cana estiveram lá, assim como os mais gladiadores e implacáveis repórteres de Brasilia que matariam a mãe por uma boa manchete. 

Eis que o líder começa a discursar. Não bastasse a força e a simplicidade do discurso, que agrada a todo tipo de público, ainda há os simbolismos. Um afago sincero a uma senhora, cortadora de cana, implodiu a fúria jornalística que imperava. “Assim fica difícil dar porrada”, ouvi de uma veterana dos impressos. Mas a emoção durou pouco e foram com tudo para cima de Luiz Inácio. Só não lembro qual era a polêmica. Ou seja, a estratégia involuntária do presidente deu certo. Se eu, suposto olheiro das entrelinhas, sucumbi àquele clima, imagine quantos outros. E assim tem sido Brasil afora … 

Bom, isso pode explicar muita coisa. Lula não precisa de subterfúgios judiciais ou antiéticos para ser querido e aceito de A a Z. Basta falar, abraçar e sorrir. A diferença é que tudo é feito legitimamente, como se estivesse em uma roda de bons amigos. Receitinha simples, mas que não é para qualquer um. Tem que ter dom. É bom não subestimar o poder deste homem em 2010 …

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Um helicóptero que cai …

23 de outubro de 2009

Tenho uma pequena vivência na cobertura policial carioca. Que sempre foi perigoso, isso é inquestionável. Mas depois dos conflitos São João x Macacos, noto que dessa vez os bandidos disseram a que vieram. E o símbolo máximo da soberania deles, para mim, é o helicóptero abatido, com três policiais mortos.

Há um gigante simbolismo naquilo tudo. Mostrou uma corporação vulnerável diante de um delinqüente armado. Nem as máquinas o detém. Ouvi, inclusive, uma história de que quem o abateu, foi um rapaz de 17 anos. Virou herói da bandidagem e foi comemorar o feito com a namorada e alguns amigos em uma cidade da Região dos Lagos. Enquanto isso, a família dos jovens e PMs mortos na guerra providenciavam documentos para enterros.

Da queda em diante, quem prestou atenção, viu uma polícia amedrontada com aquela grita e com uma sensação de que não há muito o que fazer. O poder de fogo do adversário é infinitamente maior e ele ainda conta com proteções e privilégios de vários setores que deveriam combatê-lo. E o mais importante. Uma audácia exemplar. Não há limites de enfrentamento.

Os policiais estão com medo, sim. Mas não podem dizer isso oficialmente. Fizeram juramento de dar a vida em combate, se preciso for. Mas nesta condição de desigualdade, é suicídio. E somente os soldados e oficiais honestos é que se ferram nessa história. Porque o corrupto, já levou sua vantagem e desfruta de um bom descanso em algum confortável lugar da cidade. Os que honram a farda, morrem queimados ou baleados. Também considero estes PMs vítimas. Vítimas da violência urbana e dos próprios colegas. Pois como se não bastasse, no dia seguinte a tudo câmeras captam PMs roubando ladrão e esquecendo vítima morta no chão. Fora o que não sabemos… Aí fica difícil mesmo …

Solução? Talvez. Enquanto isso, adoto minhas próprias precauções. Salve-se quem puder!

Rio 2016. Legado? Tomara …

3 de outubro de 2009

Olimpíadas 2016 no Rio de Janeiro.

Claro que a gente fica feliz com a notícia. Não precisamos ser tão radicais e bancarmos o rabugento pensando que essa conquista será para poucos. Mas não custa ficar de olho mesmo.

Lendo O Globo na semana do anúncio da cidade sede, vi uma notícia interessante. Parte da população de Chicago não gostaria que ela levasse esse título. Motivo: medo que os políticos desviassem os recursos. Pelo visto a credibilidade da classe de lá anda em baixa. Não acompanho. Já aqui, sabemos bem como é …

De cara, serão cerca de R$ 29 bilhões para realizar o evento. Claro que estas cifras subirão, vide Pan 2007, cujos valores dobraram estranhamente. Logo, o que mais se espera é seriedade na condução desse processo. Com tanta coisa para se corrigir até lá, ficar sabendo que alguém está com as contas bancárias mais inchadas por conta das Olimpíadas é feio e preocupante.

Digo isso, pois o Comitê Olímpico Internacional (COI) não vai gostar de saber disso também. E vai fazer questão de espalhar para o mundo como foi questionável a condução dos jogos no Brasil. Ou alguém ainda acha que não tem uma galera estrangeira, principalmente sul-americana, torcendo para dizer no final: “Também, fica dando oportunidade para esse povo. Dá no que dá …”

E outra. Pega mal também o país sede das Olimpíadas manter aquela fraca posição no quadro de medalhas. Não digo também que a gente vai virar China e EUA, mas dá para melhorar, sim.

Sem querer defender Cesar Maia, mas lembro de um interessante projeto de sua gestão como prefeito do Rio de Janeiro: as Vilas Olímpicas. O objetivo era formar jovens, principalmente carentes, para o esporte, visando, justamente, as Olimpíadas. Uma tentativa tímida, que até renderam alguns frutos, mas como toda boa idéia em política, acaba acabando.

Bom, o Governo precisa mesmo incentivar um programa de esportes pesado, pois tá cheio de atleta bom por aí, mas que precisa de incentivo para crescer. Fora que é mais um mercado gerador de empregos e impulsionador da economia. Fora o lado social. Não é, Fidel Castro?

Enfim, claro que vou torcer muito para dar certo. Mas vou rezar bastante também. Como lembraram os governantes, essa era a oportunidade que o Brasil precisava. E oportunidades passam. Saibamos aproveitar mesmo.