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O assassino de João Hélio

19 de fevereiro de 2010

O caso João Hélio, arrastado por um carro por quilômetros, em 2007, nos trouxe duas terríveis constatações: a falta de limites e indiferença no quesito crueldade e a improvável recuperação do ser humano.

Relembrar como foi a passagem do menino aqui é desprezível. É sofrer muito. Portanto, me atentarei a recente sentença de um dos assassinos. Ele foi solto e agora pertence a um programa de proteção a menores ameaçados de morte. De acordo com o juiz, “seria necessário mais tempo para que (o jovem) se convença das vantagens da mudança de vida, do voluntário afastamento do grupo a que está integrado”. Está certo. E acredito na recuperação humana. Mas há casos e casos. E, infelizmente, este não parece ser um caso atenuante.

O referido rapaz se mostrou muito indisciplinado e com o mesmo temperamento criminoso durante sua internação. Foram quatro ocorrências, uma delas por tentativa de homicídio a um agente de disciplina. E esse é o grande ponto. Por que ele é assim? Quem falhou e quando?

Uma vez ouvi de um policial experiente uma frase curiosa: “às vezes, tem bandido que nem sabe que é bandido”. Não entendi e pedi uma explicação. “Muitos viveram em um ambiente tão terrível, onde a única referência que tinham era o crime. Acabam agindo por instinto, baseado naquilo que viram e presenciaram”, disse.

E faz mesmo sentido. Ou como alguém explica um ser de menos de 18 anos achar normal matar uma criança daquele jeito e não demonstrar culpa? Agora, outro ponto. Como recuperar? Quem vai recuperar? Dá para recuperar?

Respostas temos ao monte e não vou me alongar. Aplicá-las, é outro papo. Enquanto isso, creio que seria melhor mantê-lo detido até sei lá quando para não corrermos o risco de vermos mais crimes. A lei é tão cheia de brechas, por que não nessas horas? Mas não considero isso um troféu de justiça. Fico, na verdade, constrangido de viver em um mundo onde tanta gente ainda age pelo tal instinto e eu poder fazer quase nada para melhorar essa convivência. Apenas tentar me proteger.

Luz ao querido João Hélio.

O Carnaval nosso de cada dia

12 de fevereiro de 2010

Ah, o carnaval …

O que dizer de uma festa em que até algumas religiões se recolhem, dando lugar ao paganismo?

Essa festa de caras e bocas, pouca roupa e muito alto astral. Onde podemos ser o que quisermos sem os olhares que condenam e nos impõem uma postura dita recomendável.

Essa festa em que podemos nos estranhar uns com os outros e depois nos abraçarmos como irmãos de sangue.

Em que podemos nos apaixonarmos e nos amarmos com tempo regulamentar, mas se a sorte estiver ao nosso lado, poderá esta paixão ser levada adiante.

Essa festa de ritmos, cores, nada de censura, alegria escancarada Batuque, percussão, sopro, olhares, dentes, languidez, riso e choro.

Emoção à flor da pele no compasso do surdo de primeira anunciando a tua escola preferida.

Uma paixão a cada esquina ou eternamente a teu lado.

A farra etílica que libera a alma e desejos …

Somos todos iguais nesses dias. Não duvidem disso! Aproveitemos!

Nem tudo parece ser caos no Haiti

2 de fevereiro de 2010

É sempre bom ouvir uma segunda opinião. Recebi há pouco essa matéria da Confederação Sindical de Trabalhadores das Américas. Uma missão deles foi enviada ao Haiti para ajudar na reconstrução do país. A assessora de Direitos Humanos da entidade, Leandra Perpétuo, foi uma das chefes da comitiva e falou um pouco do que viu por lá. Dois trechos da entrevista me chamaram a atenção. Segundo ela, as tais cenas de barbárie entre pessoas em busca de comida não é bem o que tem sido divulgado nos noticiários. E que muitos estados de nosso Nordeste estão bem piores que o sofrido Haiti. Se tiverem um tempo, leiam e tirem suas conclusões.

Las noticias que llegan por los medios, muestran un país inmerso en el caos. Siempre siguiendo esa idea de que los haitianos no son capaces de administrar su propio país y mucho menos ahora en ese período de destrucción generalizada. ¿Cual es tu impresión al respecto y cómo la gente está reaccionando?

La impresión que tuve es de un país pobre. Pero lo que he visto no me pareció muy diferente de la pobreza que encontramos en áreas miserables del nordeste brasileño donde el poder público no llega. La gente está intentando retomar sus vidas, el comercio está funcionando, los bancos funcionan, el transporte público funciona. En algunos lugares uno puede comprar un camión de abastecimiento de agua para las casas, existen grifos de gasolina y también hospitales. Donde es posible, está funcionando. No se ve tumulto en la calle, ni peleas. En los grandes acampamentos, la vida está fluyendo normalmente.

Por ejemplo, vimos un acampamento venezolano donde las carpas estaban todas bien colocadas y la gente hacia fila para recibir comida. Fuimos para otro acampamento organizado por un padre donde todos sabían quien era su vecino, todos tenían comida, estaban cocinando. En la ciudad existen mercados en la calle, donde se venden verduras y otros alimentos. .

Lo que sí he sentido es la presencia militar. Pero no en el sentido de organizar, sino para poner miedo. Existen tanques de guerra y armas con mira láser. A veces se ven campos enormes totalmente vacíos pero donde están establecidos contingentes de 200 o 300 soldados. Por kilómetros de distancia donde no se ve ni un ser humano, siempre se observan los soldados. En un mercado pequeño, con 4 o 5 tolditos no falta el tanque de guerra parqueado al lado. Uno se pregunta, ¿para qué sirve eso?

¿Tú llegaste a presenciar la distribución de ayuda?

Sí y lo que más me ha impresionado fue el hecho de que era completamente diferente de lo que veía en los noticieros de la televisión. Es falsa esa idea de que las personas están locas y saltan en cima de quien está ofreciendo auxilio. Eso no ocurrió. El pueblo se quedaba en la fila, esperando su vez, recibiendo su bolsa de provisiones. Fue todo extremadamente tranquilo y sin tumulto. Eso de una vez me quitó la idea de que todo estaba un desorden. Además tuve la impresión de que las personas están intentando volver a retomar su rutina, intentando seguir su vida y no pensar mucho en lo que ocurrió. Ellos están intentando pensar en lo que hacer de aquí en adelante.