O assassino de João Hélio

O caso João Hélio, arrastado por um carro por quilômetros, em 2007, nos trouxe duas terríveis constatações: a falta de limites e indiferença no quesito crueldade e a improvável recuperação do ser humano.

Relembrar como foi a passagem do menino aqui é desprezível. É sofrer muito. Portanto, me atentarei a recente sentença de um dos assassinos. Ele foi solto e agora pertence a um programa de proteção a menores ameaçados de morte. De acordo com o juiz, “seria necessário mais tempo para que (o jovem) se convença das vantagens da mudança de vida, do voluntário afastamento do grupo a que está integrado”. Está certo. E acredito na recuperação humana. Mas há casos e casos. E, infelizmente, este não parece ser um caso atenuante.

O referido rapaz se mostrou muito indisciplinado e com o mesmo temperamento criminoso durante sua internação. Foram quatro ocorrências, uma delas por tentativa de homicídio a um agente de disciplina. E esse é o grande ponto. Por que ele é assim? Quem falhou e quando?

Uma vez ouvi de um policial experiente uma frase curiosa: “às vezes, tem bandido que nem sabe que é bandido”. Não entendi e pedi uma explicação. “Muitos viveram em um ambiente tão terrível, onde a única referência que tinham era o crime. Acabam agindo por instinto, baseado naquilo que viram e presenciaram”, disse.

E faz mesmo sentido. Ou como alguém explica um ser de menos de 18 anos achar normal matar uma criança daquele jeito e não demonstrar culpa? Agora, outro ponto. Como recuperar? Quem vai recuperar? Dá para recuperar?

Respostas temos ao monte e não vou me alongar. Aplicá-las, é outro papo. Enquanto isso, creio que seria melhor mantê-lo detido até sei lá quando para não corrermos o risco de vermos mais crimes. A lei é tão cheia de brechas, por que não nessas horas? Mas não considero isso um troféu de justiça. Fico, na verdade, constrangido de viver em um mundo onde tanta gente ainda age pelo tal instinto e eu poder fazer quase nada para melhorar essa convivência. Apenas tentar me proteger.

Luz ao querido João Hélio.

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Uma resposta to “O assassino de João Hélio”

  1. Ida Says:

    Nojo, indignação e vergonha.

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