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Es posible, Oliver!

5 de junho de 2010

Um olhar americano – e que olhar! – sobre a atual política sul americana. A proposta, para mim, foi alcançada pelo mestre Oliver Stone em “Ao Sul da Fronteira”, documentário que trata do tema. Bem, até eu, entusiasta dos governos de esquerda revolucionários, tenho minhas restrições à forma democrática de Hugo Chávez conduzir o país e ao estranho casal Kirchner, sempre acusado de graves casos de corrupção. Mas uma coisa é certa e dita até pela própria governante argentina: há muito tempo as representatividades dos governos sul americanos não tinham tanto a cara de seu povo.

Não que seja legal o sr. Chávez sair fechando emissoras e jornais na Venezuela, mas nada muito diferente do que a dinastia Bush fez para contribuir com este cenário. O documentário, a estilo Michael Moore, traz às telas trechos de noticiários americanos, cujas linhas editoriais são claras manobras para deteriorar a imagem da América do Sul acusando-a de inimiga mundial. E faz um primoroso favor ao reconstituir o patrocínio americano ao golpe na Venezuela, que quase derrubou Chávez. O patriotismo teria salvo a democracia.

Entrevistas com os principais presidentes nos dão chance de ouvi-los melhor sem as interferências americanas. Lições de patriotismo nos são lembradas a todo o momento, dando gosto à narrativa. Ao final, Oliver dá seu depoimento-protesto sobre as intervenções mundiais à autonomia sul americana e dá um voto de confiança a Barack Obama, fato também partilhado pelos revolucionários. Uma pequena participação de Lula, com seu eficiente pragmatismo, e de Raul Castro, dando um sopro de humildade às próximas gerações.

O grande lance do fime é mostrar que a América Latina não quer briga. Ela quer autonomia e reconhecimento antes de mais nada. Até porque, muito do que é dito sobre nós é fruto da pesada tinta americana e sua paranóia imperialista. Coisa de quem não se garante. Em que é preciso a todo momento anunciar inimigos para que venham a seu socorro. Há, ainda, a pertinente lembrança de como o FMI contribui para a bancarrota mundial.

O título deste post é uma frase de Chávez, com tom bem ufanista, mas carregado de certeza. É possível vivermos em uma democracia socialista sem autoritarismo. Quem gostar do assunto, é uma dica e tanto. E tirem suas conclusões.

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