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Pobre imprensa brasileira …

21 de setembro de 2010

Não queria falar sobre sucessão presidencial, mas os últimos fatos andaram motivando-me a opinar. Não o caso Erenice Guerra e família, fato grave, que requer investigação e, caso comprovado, punição a seus membros. Mas a grita em torno da tal ameaça a liberdade de imprensa, fato que a oposição credita ao atual governo e ao próximo, se houver a continuidade. 

A divulgação das supostas nebulosas negociações que ocorreram no andar da Casa Civil, como já disse, precisam vir à tona para que haja a devida apuração. Mas a leitura atenta desse enredo nos grandes periódicos mostra um lead bem menos impressionante. O de associar a campanha da candidata da situação com os feitos do sinistro gabinete. Motivo: a acusada é fiel escudeira da postulante ao cargo máximo executivo. O que é mais importante? A denúncia, ou essa suposta associação?

O que fazemos quando descobrimos que uma pessoa próxima apresentou um desvio ético ou de caráter? Eu vou procurar manter a distância dali em diante. Mas não posso ser responsabilizado da mesma forma apenas por manter laços de cordialidade ou amizade. 

E onde entra o assunto deste post? Uma frase de um adolescente bem nascido e criado, que foi comentada por uma antenada jornalista e amiga minha. Ele perguntou à mãe com a revista Veja na mão: “não é estranho uma revista dar duas capas sucessivas contra o governo tão próximo das eleições?”, indagou. 

É sim, caro filósofo. Será mesmo que os jornalões e revistas estão a serviço da democracia com essas denúncias bombásticas, ocorridas bem antes do início do pleito sucessório? Por que não o fizeram antes? E de repente várias testemunhas aparecerem dispostas a entregar o suposto esquema? A troco de que? 

Nelson Tanure, no auge de sua cara de pau, usou um argumento para justificar a mudança radical que implementou no seu (?) Jornal do Brasil. “É difícil um jornal sério dar lucro neste país”. A frase bem que faz sentido em outro contexto. A principal receita de um jornal independente está mais na vendagem nas bancas e assinaturas do que no comercial. Esse é o preço da credibilidade. 

E são justamente esses jornalões a serviço dos anunciantes que se assustam e gritam em seus editoriais acusando a turma vermelha do PT de querer dissolver a liberdade de imprensa, baseada na declaração editada de seu principal líder. Que liberdade, cara pálida? Liberdade é publicar os fatos como eles são e não manipulá-los na forma como a parte interessada quer. E isso é perfeitamente visível quando pegamos várias publicações e vemos as mesmas notícias estampadas, cada uma, de um jeito. Mas eles não têm muita saída. É o anunciante quem manda …

Ninguém quer, pelo menos eu não, ver uma imprensa de amarras como já vimos em passado não muito distante. E a questão não é essa. O debate é para que haja uma imprensa justa, imparcial e colaborativa. Não alardeante.

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